Ampliar a visão é quebrar paradigmas

A respiração completa

É comum que, mesmo entre os atletas e cantores que já treinei, apesar de todos considerarem a boa respiração como fator fundamental para um bom desempenho, não se conheça a respiração completa. Trata-se de uma forma de respirar que utiliza a capacidade máxima dos pulmões, ou seja, os preenchendo completamente durante uma inspiração e expulsando todo o ar ao longo da expiração, renovando-o completamente, removendo aquele ar residual que permaneceria após eventuais exalações ineficientes.

De fato, a oxigenação no organismo amplia-se muito, principalmente no cérebro, gerando um incremento na força, vitalidade e raciocínio rápido.

A respiração completa é uma técnica utilizada há milênios pelos yôgins, a fim de penetrar estados de consciência profundos, criando uma ponte entre consciente e o subconsciente. Neste ponto, ocorrem sensações bastante interessantes, além do próprio bem-estar que sempre acompanha o praticante de Yôga. Um dos desenvolvimentos orgânicos mais perceptíveis no início é o grande aumento da capacidade pulmonar e do tempo de apnéia, principalmente ao combinamos algumas técnicas poderosas de respiração entre si.

Nas aulas práticas, é possível termos um desenvolvimento bastante acelerado nesse tipo de técnica. Por hora, experimente executar a mecânica básica desta técnica para experimentar um pouco do que acabamos de descrever.

- Tenha em mente que seus alvéolos pulmonares são como as fibras musculares neste aspecto: se você força seus músculos, eles se machucam e reduzem seu desempenho; se você força a entrada de ar nos pulmões, eles também se machucam, reduzindo por alguns dias a sua capacidade respiratória, até que os alvéolos se recuperam. Lembre-se: a dor é um sinal do seu corpo indicando que você está passando seu limite.

- Antes de iniciar qualquer respiratório, esvazie bem os pulmões;

1) Utilizando o tempo todo somente a respiração nasal, inspire lentamente, projetando o abdômen para frente até preencher esta parte baixa dos pulmões com todo o ar, sem forçar a respiração; durante a mesma inspiração, projete as costelas para os lados, utilizando para isso o auxílio dos músculos intercostais, preenchendo a região medial dos pulmões com ar até o limite de entrada de ar desta região; finalmente, ainda na mesma inspiração, projete o tórax para frente e para cima, abrindo passagem de ar para a parte alta dos pulmões, sem forçar a respiração.

2) Agora experimente fazer o inverso: solte o ar pelas narinas, projetando o alto do tórax para dentro, esvaziando a parte alta dos pulmões; continue expirando enquanto projeta as costelas novamente para dentro; e finalmente projete o abdômen para dentro, explulsando o ar durante uma suave contração abdominal, até sentir que seus pulmões se esvaziaram completamente.

3) Repita a técnica diversas vezes, acrescentando ritmo à respiração: enquanto inspira, utilize a contagem de 10 segundos. Enquanto expira, faça-o durante a contagem de mais 10 segundos.

Existem variações diversas de respiratórios utilizando-se desta mesma base mecânica. É fundamental que o praticante desenvolva a respiração completa para ter um bom aproveitamento em suas práticas e sentir suas atuações no cotidiano.

Afinal, a boa prática deve refletir diretamente no dia-a-dia, senão não estaremos aproveitando o privilégio de uma respiração eficiente.

Você pode tirar suas dúvidas diretamente comigo pelo e-mail personal@danielcambria.com .

Uma boa prática!

 

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